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A ACAPOR, em parceria com a Above Below, publica mensalmente para promoção e informação do Aluguer de filmes em Portugal o Cinehome, o jornal do aluguer.

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Mensagem dirigida ao humorista Nuno Markl

A ACAPOR decidiu enviar a seguinte mensagem ao Sr. Nuno Markl em reacção ao seu programa dedicado ao clubes de vídeo na rubrica "Caderneta de Cromos" emitido pela Rádio Comercial e ao texto sobre o processo de insolvência da Blockbuster:


«Caro Sr. Nuno Markl:

Tendo tomado conhecimento do programa que realizou dedicado aos clubes de vídeo na sua rubrica matutina “Caderneta de Cromos”, cumpre à ACAPOR, associação representativa dos clubes de vídeo nacionais, esclarecer o seguinte:

As saudades que o Sr. Nuno Markl diz sentir podem ser facilmente superadas deslocando-se a qualquer um dos 450 clubes de vídeo abertos hoje em dia. Estamos certos que, onde quer que more, seguramente existirá perto de si um estabelecimento que terá todo o gosto em recebe-lo e gozará da atenção, profissionalismo e aconselhamento que o Sr. Markl merece.

Aliás essa qualidade de serviço é um dos motivos que leva a que os clubes de vídeo continuem a ser  o número um quando se fala em cinema-em-casa.

A sua ideia de que existe maior tendência para o aluguer em “video clubes virtuais” é apenas fruto uma formatação publicitária longe, mesmo muito longe, da realidade.
E não somos nós a dize-lo. Os próprios editores, que controlam os alugueres dessas plataformas ao cêntimo, são as primeiras a dizer, fazendo fé numa notícia do Jornal “Público”, que  “o video-on-demand (como os do MEO e da ZON) também disputa clientes, mas, segundo a Fevip (associação de editores), não tem ainda uma quota de mercado significativa.”

Preços muito altos (que ainda por cima são taxados em cima de uma factura que já é a mais cara da Europa em matéria de Internet), oferta diminuta de títulos (contrariamente à sua ideia de que pode encontrar tudo aquilo que existe nos clubes de vídeo) associado ainda à chegada dos filmes a essa plataforma bastante depois do lançamento para aluguer, bem como a ausência do serviço personalizado, são apenas algumas das razões que levam a que o VOD seja hoje em dia um autêntico flop comercial.

Aliás quem somo nós para o tentar convencer? Em Maio de 2008 o Sr. Markl andou a fazer um “test drive” ao MEO, incluindo ao seu VOD, indeciso que estava entre esse operador e o seu concorrente. Rapidamente concluiu, em Agosto, que: “cortei relações com ZON, Meo e afins. Mantenho agora o pacote básico da TV Cabo, mas pedi que me levassem a box - a verdade é que cheguei à conclusão que estava a deitar dinheiro à rua. Passam-se dias e dias que não vejo televisão, pelo que estar equipado com tantas dezenas de canais mais os pacotes de canais de filmes e séries era um tremendo disparate, já que os filmes e as séries que vejo são em DVD.” Nós entendemos perfeitamente e congratula-mo-lo pela sua gestão de recursos.
Se observarmos a fotografia desse mesmo post, também percebemos o orgulho com que o Sr. Markl expõe a sua bela DVDteca pelo que, podemos depreender que a questão por si levantada quanto ao “espaço” que os DVDs ocupam é um argumento que nem o Sr. Markl subscreve. Não acreditamos que trocasse esses belos volumes por meia dúzia de gigas no seu computador. É uma convicção nossa...

O que afecta realmente os clubes de vídeo, e isso sim deve ser sublinhado, é a pirataria online, algo que ficou omisso na emissão de rádio mas que foi falado no texto do seu blog.
No entanto, nesse texto o Sr. Markl, além de colocar essa ilegalidade no mesmo patamar de alternativa aos clubes de vídeo dos VODs, esquecendo-se que uma prática penalmente relevante não pode ser nunca confundida com um mercado concorrencial, diz ainda que “haverá sempre, e de forma cada vez mais descontrolada, a pirataria”.
Ora este é mais um ponto de vista em que a nossa Associação diverge da sua opinião. A pirataria será controlada logo que se queira politicamente ou, na pior das hipóteses, logo que comercialmente isso seja vantajoso para os fornecedores de acesso à internet. Não tenha ilusões Sr. Markl, a pirataria é controlável logo que se queira.

E, porque alguns artistas e autores já arregaçaram as mangas na defesa da sua indústria, a ACAPOR está a tentar organizar, juntamente com esses conscienciosos autores/artistas, um concerto aberto ao público com o objectivo de sensibilizar o poder político para a importância vital que deve ter o combate ao download ilegal.

Assim, uma vez que acreditamos que o Sr. Nuno Markl, enquanto autor e interprete, percebe o que está em jogo nesta  séria questão que é a pirataria online (e sabemos que posts como este são fruto de escritos impensados), convidamo-lo a participar naquele concerto, nomeadamente ficando com a responsabilidade de apresentar o mesmo.

Aguardando por uma resposta quanto à sua disponibilidade, apresentamos os nossos melhores cumprimentos,

A Direcção da ACAPOR»

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